sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

mas é carnaval/ não me diga mais quem é você




A Colombina entrou num botequim
Bebeu, bebeu, saiu "assim, assim"
Dizendo: Pierrot cacete,
Vai tomar sorvete com o Arlequim!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Carta para Sebastião

Quando uma música começa muito barulhenta
é porque sua urgência precede a harmonia,
uma voz de neve teve de ser sacrificada para
que os repetidos nós não golpeassem
até o fim
a vida diminuta e inútil dos intensos.
Falo contigo destas canções sem que
conheça perfeitamente a teoria desse
mundo
embora isso já o saibas porque estás
ao lado, tão próximo que, se estendo
um livro, ele deita no teu peito
desperta conosco
para que um poema sobre nós esteja
pressentido.
De um encontro longínquo vêm outras
músicas fundas, e são alimento integral
para os que crêem em misericórdia como
nós
porque falo contigo das nossas luas
dos conhecidos que morrem onde
fazemos fotografias e da lonjura
que alcança a nossa voz silenciosa
de estar indignados mesmo conscientes
quando a imagem de um Homem
nos comove e tão rapidamente
desaparece.
Quando sentamos à mesa, juro, não
há como não sentir as vibrações da
amizade, a força extensa do fogo, a
nascedura da água e a terra doméstica
cruzando o que de amor colocamos
no pão
talvez porque conheças a língua de que
falo a música e a música de ti fale uma
história de faltas e de migrações
desfeitas desde que nascemos tão
separadamente no mapa de uma foz.
Há lugares que se ocupam de vazios
depois de tanta travessia, e de montes
rochas e poeiras ganhamos céus, corpos
em abraços, sementes e palavras que
nos inauguram novos pés. E, Sebastião,
se falo contigo do mundo é porque
também não o sei diferente desta dificuldade,
mas o desejo para nós com humanidade que
nos cintile e que, tenhamos uma tarefa ou não,
possamos seguidamente receber
os que amamos nas nossas terras nas
nossas mesas e nas nossas camas como
um Bem precioso da fraternidade e do
Amor mesmo
entre nós.

Maldição AFA:

porque eu estou vertida em António Franco Alexandre há meses por causa de um ensaio que não sai - faz tempo - das 9 páginas. toca muitíssimo, dialoga com as minhas falhas, abre as trompas e não contraio nenhum som maternal.



um dia
seremos úteis e preciosos como a erva e a cabra,
e ricos de virtudes saberemos
o que fazer para morrer, não morrer. entretanto

ela lateja na núpcia do sangue, inteiramente ignorante
do grando sentido de tudo isto,
egoísta como a primeira mão
que nos tocou,
um destino leviano, sensível, pacato,
depois o sulco deixado reparte as colinas
e o pequeno piano repete
a criação do mundo.












vão aparecendo os casos de suicídio entre amigos e colegas. todos já têm trinta anos ou mais, agora. fico com a jovialidade da Mariana, que me pergunta a causa das coisas cujas razões não sei responder, apenas sentir, como é praxe.

sábado, 30 de janeiro de 2010

am I all alone in this generation?




in the sheets
there was a man
dancing around
to the simple
rock & roll
song

domingo, 24 de janeiro de 2010

veja esta canção:




ahhh, toda a ansiedade do mundo...

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

"sou um peso vasto para quem tenha a bondade de fazer-me companhia e, se adquiri e conservei o conhecimento da arte de escrever foi por necessidade, tendo descoberto que a escrita e o medo são incompatíveis."

llansol. um falcão no punho.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Estou só, na zona das metáforas
(que é todo o pensamento),
em nenhum resíduo nada exprimo
(mas sempre metaforizo).
Não sinto a solidão total
dos poemas, talvez grutas,
o mar quieto, nem silêncio.
Apenas espero o outro,
um amor esplêndido,
alheio e desejável.

Fiama Hasse Pais Brandão.Visões Mínimas (1968-1974).

sábado, 9 de janeiro de 2010

john frusciante







john frusciante é ex-RHCP, carente, problemático, grava discos e músicas ruins e no entanto é um dos homens mais doces e charmosos do mundo. produziu parte da trilha (que não se vê/ ouve) do filme brown bunny (vincent gallo, 2004). dentre elas, abaixo a mais bonita. sem vídeo. só a capa do cd.





tinha que ser pisciano...

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

arpoador, 06:12

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

6.

quando o poema, a música se esvai do metal
e nada resta na parede, no linóleo, no veludo
da cadeira, quando o teatro se evapora, sequentes
edifícios se fazem e se estiolam, quando o poema,
a música se esvai da carne e nada resta
da emoção, da febre, do céu por um milionésimo
de tempo surpreendido, quando tudo se fecha
e o real é a eterna imagem agarrada ao eterno
espaço, sem janela alguma além da própria janela
escancarada sobre si mesma, eterna paisagem aferrada
ao eterníssimo espelho, quando nem a memória
do poema, da música, do amor desatinado
de infinito, quando tudo é mais que efêmero,
rápido e definitivo, solidão, quem se ergue afinal
na guelra ensangüentada, na ácida lâmpada deste metal?

Afonso Henriques Neto. de Avenida Eros.