domingo, 1 de junho de 2014



são estas as coisas que estão
diante de mim agora um terreno
imenso a pedir construção a
palafita ardendo que eu diga
barro cimento açúcar rocha
nisso que a animalidade faz
vigiar o que há em mim da
corça a servir de ponte para
o edifício exercício de contornar
mas e como assoprar a lamparina
acesa das imagens que perseguem
sem que eu sinta o fogo chegando
às patas
mesmo que salte ele estará pronto
consumindo.




https://www.youtube.com/watch?v=M8nLP0Uyxvc

sábado, 28 de dezembro de 2013


Despedida

Cecília Meireles


Por mim, e por vós, e por mais aquilo
que está onde as outras coisas nunca estão
deixo o mar bravo e o céu tranqüilo:
quero solidão.
Meu caminho é sem marcos nem paisagens.
E como o conheces ? - me perguntarão. -
Por não Ter palavras, por não ter imagem.
Nenhum inimigo e nenhum irmão.
Que procuras ?
Tudo.
Que desejas ?
Nada.
Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão.
A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação ...
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão?
Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.
(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão !
Estandarte triste de uma estranha guerra ... )
Quero solidão.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Marechal Hermes


encerra a perseguição de uma cena
este dia por dentro de um ônibus
naquela esquina altiva do viaduto
o segredo inteiro do que eu amava.

uma cela por saber aquela prontidão
no centro do bairro a caminho do vácuo
a estação inteira que ardia a óleo e
casamentos. a espera sempre tardava
aos mercados e aos apelos que o bairro
tinha de perigo. um fantasma ia comigo
sentado ao banco lateral do coletivo
sobre um aterro de restos que o dia
finalmente ejetava. eu estava lá.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

a máquina de fazer a dor


a tarde pareceu normal a caminho do vale, na ciência
de que um portal, às vezes, destrói-se com um guindaste,
não sei. já me são familiares os relevos, a língua
passando pelo dente arrancado, as bromélias que
se penduram do alto. natural que eu ouça demais
as coisas que o corpo fala. não poderia te dizer
o que é. mas não é nada de diferente. só o piso branco
a casa no cio dos gatos e o cais inteiro da minha
infância em cinco ou seis fotos para as quais olho
entre um intervalo e outro da televisão dispersa e muda.

sábado, 14 de setembro de 2013

Canto dos insetos

http://www.youtube.com/watch?v=PmJ66y0mrzk





Wado (de "Vazio Tropical")

Bebe o café, muda de nome.
Deixa a casa e chora
Está no leite que ferve
Está no mel do seu nome
Deixa a casa e chora

Você já ouviu um inseto cantar?
Ouviu estórias de amor
De ninar?

Eu acho que vem, não vem
Vou deixar você viver em paz
Sozinha
Mas quem sabe onde cabe
O amor onde faz

Você já ouviu um inseto cantar
Ouviu estórias de amor
De ninar outra vez
É sua a sua demora
Não quero você nem ninguem
Se não for agora

Deixa o mar varrer
Deixa cictrizar meu nome
Se você vier
Vamos recomeçar por onde?
Deixa estar como esta
Este é o nosso lugar
Mesmo quando não há um onde
Deixa o mar varrer
Deixa cictrizar meu nome
Se você vier
Vamos recomeçar por onde?
Deixa estar como esta
Este é o nosso lugar
Mesmo quando não há um onde
Deixa o mar varrer
Deixa cictrizar meu nome

sexta-feira, 16 de agosto de 2013





a água onde deixei minhas contas, mãe,
é a pia em que rebatizo o que há de mim
no mar é a foz terrosa das areias que
trago no sino vigoroso destes tornozelos.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Flume

Bon Iver


I am my mother's only one
It's enough
I wear my garment so it shows
Now you know

Only love is all maroon
Gluey feathers on a flume
Sky is womb and she's the moon

I am my mother on the wall
With us all
I move in water, shore to shore
Nothing's more

Only love is all maroon
Lapping lakes like leery loons
Leaving rope burns, reddish ruse

Only love is all maroon
Gluey feathers on a flume
Sky is womb and she's the moon

Pode ser ouvida aqui: http://www.youtube.com/watch?v=62i9Sodwp5o

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Divórcio


Monica Costa Netto


Demora na serpente do adeus
uma saudade constrita do que não foi
céu
coberto por folhas
o rastejante recordar se agita
com sua fome comprida
varrendo o chão da alma
esquece
o sopro desconhecido
entre as palmeiras de dendê
não grita como as jandaias
morre calado nos coquinhos
no parque sem cobras
a corda enroscada no pescoço do dia
dificulta o trabalho do carrasco
com o machado
castigo
o corpo-árvore se desloca acéfalo
corre
esperando descobrir
no vento que lhe corta a face
o espírito do encontro
sem lugar
passa
promessa errante
dos tempos em que partem
viajantes anfíbios
os peixes-pássaros da existência
para colonizar sonhos futuros
do que nunca seremos
sim

terça-feira, 4 de junho de 2013




as réstias




nada tem sido o que me dá o dia.
só o nascimento curto das helicônias
é chamado certo para os pássaros.






a habitação de cimento transborda
um cenário esvaziado de aceites e
a economia dos azulejos garante a
construção de um poço dentro da casa.
(a casa é sempre palavra que sobra)





as laranjas silenciam os gomos abertos:
não há insetos que resistam aos odores
do que principia, lento, a se apagar.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Long silence presents the tragedies
of love.

REM. Sad Professor.