Eu acho que foi em algum conto da Márcia Denser que uma vez eu li: "eu sou uma mulher entremeada". Eu não vou fuçar a fonte agora porque meus livros - faz uns 4 meses - estão encaixotados na desordem do meu tempo. Os textos, nesse sentido, estão como a minha vida, na divisão de uma reta traçada entre o Rio e a Bahia. Quando estou no Rio, como agora, sinto já saudade da minha casa a nascer: da louça do dia-a-dia, da visão do céu na outra cidade e dos rostos que começo a saber como os escolhidos e os preferidos de se ver. Quanto estou na Bahia, meu amor é via skype porque é distante tudo e pareço sentir apenas uma grande falta: acho que são os olhos da afeição e do lugar seguro querendo porto, ou mar. A minha subjetividade sagitariana sabe que, afinal, não há lugar certo e que a aposta na Bahia é de força, mas eu seria leviana se negligenciasse também o meu desejo de conforto e de congregação. Semana que vem eu volto pra Amargosa e vou reunir as meninas todas pra uma feijoada ou pra um almoço. Porque quero repartir com elas essa minha divisão entremeada. Quero convidá-las para a cozinha que é o mote para a quentura dos afetos. Quero reunir à mesa e que a mesa esteja rodeada de gente forte e líquida. Porque Amargosa - isso me apascenta o coração - é uma cidade feminina.
quinta-feira, 28 de junho de 2012
domingo, 13 de maio de 2012
os dias sob os quintais
em minha casa há dois quartos vazios
que disputam a melhor coloração para
os lagartos da tarde no que resta do jardim.
o feijão no fogo, a sua quantidade e eu
somos um volume silencioso que se alinha
ao motor de uma bomba de água, ao movimento das aves
sobre o vento e o caminho interno de duas ou três vozes
que sempre estiveram no interstício dos quartos ou
à sala entre os ladrilhos por onde caem fios escuros de mim
comigo.
que disputam a melhor coloração para
os lagartos da tarde no que resta do jardim.
o feijão no fogo, a sua quantidade e eu
somos um volume silencioso que se alinha
ao motor de uma bomba de água, ao movimento das aves
sobre o vento e o caminho interno de duas ou três vozes
que sempre estiveram no interstício dos quartos ou
à sala entre os ladrilhos por onde caem fios escuros de mim
comigo.
sexta-feira, 11 de maio de 2012
domingo, 15 de abril de 2012
domingo, 1 de abril de 2012
Antífona (outra bittersweet symphony)

à ti ofereço novas
sou oficialmente atravessada
pelas instâncias das curvas
outra e mesma dos dias que
bordo em saia branca
estou aqui para ti em carne
aguardando a filiação perdida
na terra em que jazem todos os
buritis
como assinar o meu nome nesse
dia de vésperas? como
provar a espera e derramar a sua
monstruosidade sem molhar as rodovias?
aceno para frente e recebo a páscoa
em atabaques. são novas.
a luz (daqui) me cega de sentir.
terça-feira, 22 de novembro de 2011
domingo, 21 de agosto de 2011
terça-feira, 26 de julho de 2011
sexta-feira, 18 de março de 2011
kilômetros abaixo
a
vivência sobre vagas
que parece meio óbvio assim
dito sob o frio da estrada
atroz contentamento a sós
não diriam ok os crentes
à cidade era sempre
uma pergunta onde crescem
as casas por que atravessei
mil quilômetros e voltei sem
nada porra é válido
fotografar as minhas costas
atrás de uma araucária núbia
nisso fustigar o soluço cá
geava e era a poltrona mais
próxima do inverno porque
tudo devolvia outra vista.
não se arrumam corizas
e estados de volta eu só cria
entrar num Penha de frota
velha em busca de feijão e
saneamento para os ouvidos.
de onde eu venho não se fica
sem sol
b
fantasia br116
eles se chamam de véi toda hora
me ofereceram cracóvia suína e
na cama da rodovia nos meus pés
floresce uma cantiga de neve como
pelo rito acidente aéreo em que voz
sobrevivemos com os corpos e
perdemos a memória eu diria
nós mas a falha no fundo foi
minha véi os pinheiros são fortes
deviam há muito construir tumbas
essas dos viajantes que singram mas
cantam eu preparo para ti uma
vindima sagrada, oh, nínive prometida
não, jonas e as professoras já abandona
ram esta casa esse quarto de quinta
ali atrás está a tua mortalha: foi onde fiz
provas e fiquei novamente em qualquer
lugar que não fosse o primeiro único
e por isso este vitral ao adentrar pelas
tendas dos imigrantes porque não sou
eu apenas para ônibus e passagens esta
mos juntos por muitas horas de assombro
nada que é saber com fones de ouvido véi
qual é a cor da noite quando não há jogo
e o que sobra não é nem a verdade só o que
você arrancou dela
c
as homologações
porra eu te bendigo nínive
apesar de sempre confundir
jonas dentro da baleia
com o pequeno príncipe
comido por uma cobra
(podia ser um chapéu)
d
acenos para belfast
amanhã é quando chega a prata
e neva enquanto falo o nome da
cidade oh minha doce e bendita
é nessa madrugada que os preços
serão abatidos a sessenta e nove
e noventa porque era promoção
para curitiba e eu voltei sem ser
possível deter o caule frondoso
dentro da minha vindima e agora
na estrada as imagens das paradas
predizem a mudança das carpas de
água para sobrevivência de cinza
toda em direção ao emudecimento
das bagagens que antes eram filhos
e agora somente tijolos pastosos e
pesados por onde impedem todas
as garantias de chegar como um
fato por exemplo a rosa reciclada
nos pedágios a custo de sabres
estou em vigia sob os alpendres
deitada na desimportância das
neblinas e fingindo aceno depois
dos desastres de derrubar vigas
com a precisão de um estribilho
dentro forte longo sério tenso
que valsa três por quatro e alguém
diz and this blood on my theeth
when I bite my tongue to speak
uma salva de apelos e morses
os pingos sobre o amor em fim.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
besante
pouco olho para o céu
agora que
avante entre o tempo
da passagem reflitam
desacordo nas represas.
agora olho muito pouco
para que
essa atitude ampare
o que sobrou impuro
do próprio resgate.
agora que
avante entre o tempo
da passagem reflitam
desacordo nas represas.
agora olho muito pouco
para que
essa atitude ampare
o que sobrou impuro
do próprio resgate.
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